em Curitiba, Feira do Largo da Ordem, Feirantes

VOCÊ PRECISA DE UM GRILO OU OUTRO

Na Feirinha Hippie, como muitos ainda chamam a Feira de Artesanato do Largo da Ordem, há vários artesãos antológicos. Entre eles, Adilson Albano, também conhecido como Grilo. Ele está ali desde a época em que não havia barracas, apenas os panos sobre o histórico piso de paralelepípedos, a feirinha ia da rua do Rosário até perto do Schwarzwald, o Bar do Alemão. Bem menor que o mar de mais de 1.000 barracas de hoje em dia.

Voo do grilo.

Lá se vão 45 anos desde que o piá de 11 anos, descendente de poloneses, pediu a ajuda do avô pra fazer um trabalho inovador para uma feira na Escola Estadual República Oriental do Uruguai, no bairro do (arruia!) Capão da Imbuia. Seu Osinski não teve dúvida: “vem cá, vamos fazer um grilo de madeira”, disse o velho marceneiro. Sem que soubessem, este momento mudaria para sempre a trajetória de Adilson.

Com a ajuda do avô, nascido em Varsóvia no começo do  século XX, o bichinho de madeira ficou perfeito. Ele surpreendeu colegas e professores e tirou uma nota alta. Com o tempo, o grilinho virou um enfeite, que empoeirava e ficava desfocado, como costuma fazer o tempo com tanta coisa.

O incansável e viciante grilinho…

Lá pelos 20 anos, começou a frequentar a feira, quando um amigo lhe disse: “Você vem na feirinha só pra ver as gatinhas, porque não vem trabalhar?”. “Mas com o quê?”, perguntou o piazão que nesta época já era funcionário do Serpro. “Com aquele teu grilo!”. Aí veio o estalo e naquela semana, após tirar a licença para vender na feira, ele fez 400 grilos. Faltou grilo, saíram todos. O sucesso foi tanto que ele decidiu deixar o Serpro, onde queriam mandá-lo para um curso de programador no Rio de Janeiro. Ele pensa em como tudo poderia ter sido se tivesse continuado no Serviço Federal de Processamento de Dados. Talvez tivéssemos a nossa versão brasileira de Bill Gates?

O grilinho pula alto!

De lá pra cá, seus grilos deram saltos gigantescos, estão em todo o Brasil e no mundo: México, Itália, EUA, Japão… São clientes fiéis que sempre que voltam a Curitiba levam os grilinhos para dar de presentes aos parentes, amigos ou clientes. O Grilo rodou o país em feiras e eventos e de pulo em pulo, comprou caminhão, casa e formou filho engenheiro.

O grilo é um brinquedo simples, mas que encanta a todos, em especial a criançada, que brinca incansavelmente com ele e até esquece os tablets, a internet e os desenhos. Mas não raro um adulto fica comprimindo as perninhas de aço contra uma superfície lisa, até a borrachinha circular grudar, à espera do pulo alto do bichinho. E vai repetindo a dose enquanto pensa em como vai resolver os seus outros grilos…

O produto mais querido da Feirinha em todos os tempos?

Ele poderia ter sido programador ou ainda jogador de futebol. Treinou no Esporte Clube Pinheiros e ia pro profissional, mas preferia jogar bola com os amigos pra se divertir, numa relax, numa tranquila, numa boa e continuar com o grilo. Centenas de milhares de crianças não sentem falta de outro fenômeno ou de mais um nerd da informática. Os momentos mágicos que os grilinhos proporcionam, fizeram, e fazem, a infância delas muito mais feliz.

A criançada não cansa de fazer o grilo pular!

Onde: Feira do Largo da Ordem, na rua Dr. Claudino dos Santos, esquina com rua do Rosário, em frente à igreja Presbiteriana.

Quando: Todos os domingos das 8:00 às 14:30.

Deixe uma resposta